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UJE apoia o MST em suas atividade do ABRIL VERMELHO. -  20/04/2012

A União dos Jovens e Estudantes do Brasil apoia irrestritamente o MST e as famílias que estão acampadas na praça da IGREJA São José, bairro Gameleiras, na cidade de Uberaba/MG, que estão lutando contras as injustiças dos poderosos que só sabem esmagar a classe trabalhadora.

 

Leia abaixo o manifesto do MST:

 

 

Exmo. Senhor Desembargador,

Gercino José da Silva Filho

Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo

Nós do MST do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba viemos através desta trazer o relato de nossas atividades do Abril Vermelho que acontece todos os anos a nível nacional e denunciar o abuso de autoridade e violência contra os trabalhadores rurais.

Começamos nossas atividades em Uberlândia/MG na reitoria da Universidade Federal de Uberlândia. No decorrer do nosso ato o segurança a mando do reitor da universidade trancou os portões impedindo a entrada e saída de trabalhadores num espaço público, ferindo assim a Constituição Federal. Logo em seguida o referido segurança sacou uma arma e efetuou um disparo contra estes no dia 17 de abril.

Num segundo ato, deslocamos para uma ocupação pacífica de uma área que já foi decretada, que é a Fazenda Inhumas, situada no município de Uberaba/MG no intuito de chamar a atenção dos órgãos competentes envolvidos com a Reforma Agrária. Por volta das 21h do dia 17 de abril ocupamos parte da área, com aproximadamente 80 famílias entre crianças, mulheres, idosos e jovens. Chegando lá não ocupamos toda a área e nem tomamos conhecimento das pessoas que ali estavam. Instalamos nosso acampamento na construção de barracos para as famílias se acomodarem. Por volta das 5h30 da manhã do dia 18 de abril fomos surpreendidos por uma milícia armada que percebeu a nossa presença e imediatamente acuaram os trabalhadores disparando um tiro para o alto deixando transparecer ANIMUS me CANDIDUS, ou seja, vontade de matar o que deixou as famílias atemorizadas e em pânico. Em decorrência nós tentamos dialogar com esta milícia para que não fizesse um massacre como já aconteceu no passado contra trabalhadores. Diante de uma intensa negociação concordaram em aguardar a polícia no mesmo local em que os acampados. Por volta de 8h a milícia se retirou do local voltando acompanhada de uma viatura rural e o arrendatário da área, um usineiro, em outro veículo.  Na viatura estavam o Tenente Cintra, o Soldado Borges e um outro soldado.  Em seguida o Tenente dirigindo a fala com um dos nossos representantes eleitos pelo povo para comunicação e negociação disse que nossa ocupação era ilegal, que estávamos sendo autuados em flagrante e não foi feito Boletim de Ocorrência no local, como determina a lei. Ainda afirmou que nossa ocupação ocorreu 5h e nos ameaçou dar voz de prisão caso não saíssemos pacificamente. Enquanto nossos representantes da massa tentavam dizer que a ocupação era legitima e amparada por lei, o tenente por várias vezes alegava que a ocupação não era legítima e sim um crime de invasão de propriedade privada. Por volta das 8h30 chegaram mais 12 viaturas com homens fortemente armados com arma em punho intimidando a resistência das famílias no local.  Diante da repressão da polícia, do arrendatário-usineiro, de um advogado e da milícia vimos a necessidade de entrar em contato com Vossa Excelência. A partir daí Vossa Excelência já foi começando a ter ciência dos fatos no local e logo entrou em contato com o Major Wellington, do comando do batalhão de polícia de Uberaba, e com um dos nossos representantes. Apesar de seu posicionamento favorável à nossa causa o Major Wellington ignorou suas deliberações alegando que ele não acataria as ordens de um desembargador, pois ele só responderia ao comando da polícia. Ainda ressaltou que o desembargador só cuida de casos de juízo. Sendo assim eles nos deu apenas 10 minutos para desmontarmos todas as barracas e pegar os pertences para irmos embora alegando que tinha em mãos uma ordem judicial de reintegração de posse da área. Mas como nós não tínhamos como nos locomover e nem para onde ir perguntamos para o Major: “Para onde vão ser levadas as famílias?”. E ele logo respondeu que não seria problema, que ele juntamente com o arrendatário-usineiro conseguiriam arrumar dois ônibus para levar todos à delegacia de Uberaba e ainda arrumaria uma patrola para derrubar os barracos. Em seguida o Major ameaçou entrar e fazer uma “varredura” caso não saíssemos do local. Logo após a tropa de choque chegou com cães para fazer a retirada, caso resistíssemos no local. Então pedimos ao Major para que não nos levasse à delegacia, mas a um espaço público da cidade de Uberaba. Chegando os ônibus da usina as famílias se locomoveram pacificamente para eles. Porém quando um dos representantes das negociações foi entrar no ônibus o mesmo foi barrado pela polícia e trazido até um dos veículos no qual estava outro representante. Depois vistoriaram todos os veículos e seus passageiros não encontrando nada. Em seguida pediu que os representantes saíssem do veículo pois teriam que ir em uma viatura para uma delegacia dizendo que eles teriam que assinar um termo de ocorrência. Chegando lá deu voz de prisão aos mesmos e os demais foram encaminhados à praça pública da cidade com os dizeres do motorista da usina de que as famílias pegassem suas malas e fossem pra suas casas, as quais não temos , onde a repressão continuou, impossibilitando que montássemos as barracas para abrigar as famílias, e as crianças estão dormindo ao relento, estando sujeitas a contrair todos os tipos de doenças e nos impedindo que fôssemos ao banheiro da Igreja e que tomássemos água. Os dois representantes das negociações que foram levados a um posto policial foram também impossibilitados de usar o banheiro e de tomar água mesmo com o pedido do advogado que os acompanhava. Os militares diziam ironicamente que eles aguentavam. Após várias horas no posto policial, detidos, foram encaminhados para a Delegacia Civil para serem ouvidos pelo delegado de plantão da cidade de Uberaba Sr.João Francisco Andrade de Lima Oliveira. Quando os dois aguardavam para ser ouvidos juntamente com o advogado, Frei Rodrigo, Aguinaldo e Maria Lucia dos Direitos Humanos, o soldado Borges ironicamente disse para que eles ficassem longe do advogado, pois eles estavam à disposição dele e que eles eram propriedade dele, até que dessem o depoimento ao delegado. Após o depoimento o delegado os parabenizou pela luta pacífica, incentivando para que continuassem.

Diante deste relato de abuso de autoridade e repressão contra os trabalhadores rurais que tememos pelas nossas vidas, nós que nos encontramos na cidade de Uberaba reivindicamos uma audiência emergencial nesta cidade para que estes atos cometidos arbitrariamente não voltem a acontecer. Reivindicamos também que as seguintes entidades estejam presentes para a audiência pública:

Ouvidoria Agrária

INCRA-MG

Comissão dos Direitos Humanos

Ministério Público

M.D.A.

Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia dos Deputados

Observação: Enquanto não tivermos êxito em nossas reivindicações permaneceremos por tempo indeterminado em plena praça pública no intuito de chamar a atenção dessas entidades para que nos acudam. E acreditamos que a justiça será feita diante de tantos abusos.

Nós quanto trabalhadores só queremos que a Reforma Agraria seja feita para que possamos criar nossos filhos com mais dignidade.

Atenciosamente,

Agradecemos desde já Vossa Excelência.

 

 Fonte: MST

 

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