Ália Mendonça Silva tem 27 anos, é Técnica formada pela FUCAPI em Técnica Industrial Básica. Atualmente é Diretora de Juventude da UJE-Brasil.  

Dia Internacional da Mulher, uma data que simboliza conquistas, ou uma data machista?

16/03/2008

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos económicos, políticos e sociais alcançados pela mulher, é o que todos os meios de comunicação nos relembram todos os anos.

A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na virada do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão econômica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria textil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.

Existem outros acontecimentos como, o incendio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também aconteceu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas( na minha opinião esta é a  versão verdadeira).

Em 1975 designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas – ONU começou a patrocinar o Dia Internacional da mulher na data de 8 de março, como é até hoje in memoriam as 146 trabalhadoras queimadas.

É isso? Acabou e não é preciso mais nada? Conquistamos tudo e não precisam mais lutar? Não! Claro que não. Existem muitas outras conquistas como mudar a histórica diferença salarial (mulheres recebem cerca de 40% menos do que homens em um mesmo cargo), acesso a cargos públicos, já que existem poucas deputadas, pouquíssimas senadoras e nenhuma presidente (considerem que somos 57% da população, ou seja, a maioria), diminuição da violência: estupros (que, como se não bastasse o crime em si, as agredidas ainda passam por humilhações em delegacias), esposas agredidas por animais acéfalos e com uma latente homossexualidade reprimida (veja: nada, absolutamente nada, contra gays, eu acredito que cada um deve ser feliz da forma como melhor lhe convir e não me cabe a dizer como esta forma se dará, só tenho contra os que são covardes para assumirem-se e descontam essa frustração em uma mulher). Tem muito mais: acabar com essa tentativa de transformá-nos em objeto (vulgarização, mulheres mostradas como utensílios ou como pedaços de carne para consumo nas TV’s – como já disseram: temos TV a cabo e TV a rabo -, assim como em peças publicitárias, alguns grupos de axé/ funk/ pagode – cada um gosta da música que quiser, mas não é necessário expor as mulheres da forma como são expostas), entre outras lutas.

Há poucos anos a Kaiser fez um comercial que dizia que eles haviam feito uma pesquisa sobre “quais eram as ‘coisas’ que o brasileiro queria ver em comerciais de cerveja”. Mulheres ganharam com X% (não lembro os números), extraterrestres ficaram com Y%, animais ficaram com Z% e não sei mais o que ficou em último. Muitas mulheres e alguns homens ficaram indignados e enviaram vários e-mails para a cervejaria e para a agência publicitária por colocarem a mulher como “coisa”, e o comercial saiu do ar em pouco mais do que uma semana.

Não me lembro do ano nem edição, mas me lembro da minha indignação com uma reportagem na revista Nova da editora Abril. A reportagem tinha o seguinte título “Dez coisas para você (referindo-se às leitoras da revista) fazer para não perder seu homem”. Dentre as preciosidades que a revista, dita feminina, aconselhava a fazerem estavam alguns absurdos. Sinceramente não vou reproduzir aqui quais eram, porém havia um conselho que achei curioso: levar café na cama todos os dias (café na cama é muito bom, mas todos os dias? E porque só a mulher deveria fazer isso?), deveriam mudar o título para “Dez coisas para você fazer para não perder seu patrão”.

Por um acaso vocês (homens e mulheres) sabem que em alguns casos de estupro a defesa do criminoso usa como argumento algo que já fez parte das leis vigentes: a roupa que a vítima estava usando na ocasião do crime? Sim, dependendo da roupa da vítima (se for considerada “provocante”), ela deve ter merecido ser estuprada! Um absurdo. A roupa da mulher  dá o direito ao homem de estuprá-la? Onde estamos? Estamos no país que tem um famoso “eterno” candidato responsável por uma das frases mais delicadas da política brasileira: “Estupra, mas não mata”. Só faltará incluir nas leis que um homem munido com seu tacape último modelo poderá caçar uma mulher golpeando-a na cabeça e arrastando-a até a sua caverna (própria quitada, financiada, ou alugada). Caso se institua uma lei tão moderna como esta, espero que complementem com um “iabadabadúúúú” no final...

Para encerrar, porque existe um dia no ano dedicado a mulher?E nenhum dia internacional dos homens? Porque existe O Dia da Consciência Negra?E nenhum dia da consciência branca? Lapso? Machismo?Não sei dizer ao certo.

Nada mais merecido sermos reconhecidas, pois temos que trabalhar, não esquecendo que nos é exigido estarmos sempre lindas, maquiadas,  de salto alto e desempenharmos nossas funções igual ou melhor que os homens ainda sermos donas de casa e mães atenciosas!

 Não vou negar que não seja maravilhoso receber parabéns, abraços e até presentes por sermos as guerreiras fabulosas e únicas que somos, mais isso deve ser feito todos os dias, não em um só.

Não precisamos do reconhecimento e atenção do mundo todo, conhecido e desconhecidos, basta o reconhecimento daqueles que nos amam;  precisamos de amor, carinho, respeito e atenção todos os dias do ano!

Desejo a todas nós mulheres, felizes dias das mulheres durante o ano todo...simplesmente porque  nós merecemos.

SEMPRE UNIDOS!

Ália Mendonça Silva 'País' Brasil!