APRESENTAÇÃO: Rafael Carvalho é estudante de Direito, diretor de Coordenação Estudantil da UJE, diretor Jurídico do DCE da Universidade de Uberaba e membro do Instituto Friedrich Naumann. Semanalmente ele escreve para está coluna destacando as ações e acontecimentos que demonstram a importância da juventude e do movimento estudantil.

Extensão Popular: construindo outra perspectiva de luta para o Movimento Estudantil

10/02/2008

Nos últimos anos, observamos uma notória hegemonia do paradigma neoliberal sobre nossa sociedade, que entre outros aspectos, atingiu de forma incisiva a educação superior. A universidade brasileira sofre um acentuado processo de mercantilização. Temos hoje 75% das matrículas nas instituições pagas, que em sua grande maioria não passam de empreendimentos comerciais, onde a Educação é uma mercadoria a ser vendida a um custo mínimo. E nas instituições públicas, também consumidas pela lógica do mercado, o princípio da função social da universidade é um conceito que necessita de resistência para continuar a existir.

A universidade é um dos grandes instrumentos para a libertação do nosso povo. Perdê-la para os interesses do capital seria um golpe criminoso no processo de emancipação política, social e econômica do nosso País. E precisamos, com urgência, apontar saídas para esse quadro. É necessário que o ensino superior dialogue com os setores populares, através da extensão universitária, notadamente a extensão popular. Esse diálogo deve ser fraterno e horizontal, respeitando-se as diversidades culturais e relacionando o saber científico com o saber do povo. Dessa forma, estaremos construindo uma produção acadêmica socialmente referenciada e uma universidade protagonista no processo de emancipação das pessoas.

Além disso, é necessário afirmar que o conhecimento científico não nos basta. É preciso que os estudantes, através da extensão, também incorporem o conhecimento popular, lapidado e construído ao longo de gerações. As tradições populares são uma grande fonte não só para uma formação mais humanizada, mas também para preparar os estudantes para os complexos desafios que a conjuntura social nos impõe. Por fim, a extensão é fundamental para uma formação crítica. Através do contato com o povo, passamos a questionar o modelo neoliberal e os valores individualistas que nos são impostos pela própria universidade, pelo mercado e pelos meios de comunicação de massas. A superação do modelo de Educação bancária e tecnicista que temos hoje no Brasil passa pela valorização da extensão e da educação popular enquanto elementos problematizadores de nossa realidade social.

A universidade brasileira, conforme estabelecido pelo artigo 207 da Constituição Federal, está construída sob a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Precisamos trazer a extensão popular para o centro da agenda do movimento estudantil, garantindo a sua existência em todo o ensino superior e disputando o seu paradigma ideológico em todas as universidades e estâncias da Educação. E esse é um desafio que só será consolidado se toda a rede do movimento estudantil se entender como protagonista desse processo. A UJE, as UEE’s, os DCE’s e os DA’s precisam pautar a extensão popular no cotidiano das lutas e fazer dela o elemento norteador do ensino e da pesquisa.

Falar em função social da universidade sem colocar a extensão popular como elemento fundamental é navegar em um conceito vazio. O movimento estudantil precisa reavaliar a sua atuação, percebendo que a extensão popular deve estar no pilar central do nosso projeto histórico de universidade. Derrotar o modelo tecnicista hegemonizado na educação superior e construir a luta do povo dentro das universidades a partir da extensão é sem dúvida o grande desafio que está posto ao movimento estudantil brasileiro

Sempre unidos!

RAFAEL DE CARVALHO OLIVEIRA