Diretor de Comunicação do Grêmio Estudantil Gildo Macedo Lacerda durante a gestão 2005, Presidente do Grêmio Estudantil Gildo Macedo Lacerda durante a gestão 2006, membro da Coordenadoria de Mobilização do Centro Acadêmico de Sociologia da UnB no ano de 2007 e membro fundador do MEL - Movimento Estudantil Livre.

Vamos sempre pôde dizer o que pensa?

06/11/2007

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23/06/07

            O Tribunal Superior Eleitoral lançou recentemente uma ampla campanha de “conscientização” sobre a importância da participação e do engajamento da juventude no processo eleitoral. A campanha, suscitada por uma preocupação do tribunal relacionada ao baixo número de jovens de 16 e 17 anos que têm o título de eleitor, tem como principal mote a frase “Você sempre pôde dizer o que pensa. Mas, sem o título de eleitor, você não será ouvido.”. Esse lema, por melhor que seja a índole da campanha, é uma afronta aos valores democráticos.

            A democracia, como a conhecemos, tem sua origem nos EUA pós-independência. Escrita em 1787, a constituição estadunidense, inspirada em ideais iluministas, deu base e sustentação posteriores a todas as repúblicas democráticas ocidentais, com exceção à Inglaterra e Espanha, monarquias constitucionais, e à Rússia e os países do leste europeu, sob o jugo da ditadura soviética. Sendo assim, o Brasil se inclui nesse grupo ocidental que, embora tenha manchado sua história com ditaduras, moldou seu sistema político com base no dos EUA.

            Um dos valores primordiais dessa democracia moderna é a participação política. A participação política, ao contrário do que é defendido pelo nosso Tribunal Superior Eleitoral em sua campanha, não se dá única e exclusivamente no âmbito eleitoral. Voltando ao exemplo estadunidense, o que se encontra lá é uma das sociedades mais participantes politicamente do mundo, com Organizações Não Governamentais, associações de classe, sindicatos e etc. Aderir incondicionalmente à campanha do TSE seria negar essa importante faceta da democracia, concordando, portanto, que só seremos cidadãos (no caso, jovens) politicamente ativos e participantes se comungarmos do lado institucional da política.

            Não devemos nos resumir em democracia eleitoral. Devemos recusar essa oligarquia competitiva, sistema com ampla disputa institucional pelo poder mas com participação política limitada pregada pelo TSE, para nos alçarmos à poliarquia, sistema com ampla disputa institucional pelo poder, mas também com ampla participação política. É evidente a importância da participação dos mais jovens no processo eleitoral, mas não devemos nos iludir com a falsa idéia de que só o sistema político-partidário institucional irá suprir as demandas da sociedade civil. É necessário que nos ergamos e participemos em fóruns extra-eleitorais, formemos associações, sindicatos, grêmios, uniões estudantis e tudo que nos foi garantido pela Carta Magna. Só assim realmente seremos ouvidos.

 

 

Alexandre Branco Pereira, 19, é estudante do 1º semestre de Ciências Sociais da Universidade de Brasília e Coordenador Nacional do Movimento Estudantil Livre.